Um felino, dono de si e do seu ego
Um felino, preso a sua sabedoria inexorável
Com medo
Medo do futuro, dos passos, dos dentes, dos beijos
Medo dos dardos, dos fardos, dos tiros
No escuro, no breu, no clarão tão claro de um raio
Que tudo por si destrói em seu tormento languido, rápido, ríspido
Um felino cujas arestas desconheço e por onde traços infindáveis não são traçados
Por medo
Medo do que veio e do que queria, do que não queria e do que nunca quis e quis, ao mesmo tempo
Ao mesmo tempo e no tempo de sua duvida ilógica
Um felino, um tigre forte, um gato
Um rato, um sapo, uma rã
Presos a si pelos ramos de uma selva irrastreável
Quanto tudo o que se procura e o que se acha
E o que se busca mesmo sem querer
Tão vivo e tão morto quanto o lodo numa pedra fria
Tão fria quanto o que teima em bater
Tão dura quanto o que teima em existir
Tão inexistente e sem sabor quanto o ar que a circunda
É a dúvida
A dúvida e o alimento dela
É o medo, a angústia, a suposição
É sufoco, é algema, são braços que teimam em abraçar o que não quer seu aconchego.
É tudo aquilo que queria e não mais quero
Não desse jeito.
Felino, dono de si, independente.
Seguirá sempre lambendo o corpo e limpando a alma.
Sozinho, como tudo o que o cerca.
Como sempre fora.
Felino e ferino.
Só.
sábado, 10 de abril de 2010
sexta-feira, 12 de março de 2010
Somente os meus versos me consolam
Somente eles sabem o que sinto
São deles o valor da lágrima
Estão neles o peso da angúsita
Neles encontro companhia na noite fria, só
Me abraço a eles e sinto um calor sereno
Nos meus versos eu me vejo e me distraio
São dos versos meus amores, meus pesares
As lágrimas estão nos versos, a beleza está nos versos, a sintonia
A sinfonia de palavras amarguradamente construídas
A arquitetura solene deles são minhas também
E também me pertenço e me perco neles
E me basto, e me busco e me acho
Meus versos são minha bússola, são meu guia, são meu Deus
Meus versos são meus, tão meus que nem me cabem
Eles são maiores, grandiosos, eles são fortes, seguros
Eles me passam segurança, eles me passam alegria
São dos meus versos a felicidade que tanto me falta
São dos meus versos a minha poesia, a minha alma.
Bruno Sampaio.
Somente eles sabem o que sinto
São deles o valor da lágrima
Estão neles o peso da angúsita
Neles encontro companhia na noite fria, só
Me abraço a eles e sinto um calor sereno
Nos meus versos eu me vejo e me distraio
São dos versos meus amores, meus pesares
As lágrimas estão nos versos, a beleza está nos versos, a sintonia
A sinfonia de palavras amarguradamente construídas
A arquitetura solene deles são minhas também
E também me pertenço e me perco neles
E me basto, e me busco e me acho
Meus versos são minha bússola, são meu guia, são meu Deus
Meus versos são meus, tão meus que nem me cabem
Eles são maiores, grandiosos, eles são fortes, seguros
Eles me passam segurança, eles me passam alegria
São dos meus versos a felicidade que tanto me falta
São dos meus versos a minha poesia, a minha alma.
Bruno Sampaio.
Meu amor, como te limitas!
Há um mundo novo todo construído para você.
Há um mundo de felicidade, de paz, que construí para você, aqui fora
Meu amor, como te prendes!
A vida é bem mais que suas conclusões
A vida é mais que qualquer achismo inconcreto seu
Meu amor, como te iludes!
Vem comigo, caminha ao meu lado, saberei te guiar
Vem comigo, me mostra quem tu és, quero mostrar que sei te amar
Meu amor, como me maltratas
Não ligue para imperfeições, olhe dentro de mim, veja o que há de belo
Não ligue para outros afora, o que há aqui é mais lindo e completo que tudo
Meu amor, como nos entristece
Cai deste pedestal, meu amor, vem comigo, te prometo que será bom
Cai deste trono, eu te ajudo, eu te preencho, eu te prometo
Meu amor, como te amo!
És tudo aquilo que busco para mim
És como um todo sofrimento, sou como um todo sofrimento
Mas não, não deveria ser assim!
Temos um ao outro!
Que mais belo há na vida que ter outra vida para amar? Para te amar?
Vem meu amor, vem antes que eu voe, voe bem longe!
Vem, vem enquanto meus braços abertos só esperam o teu calor.
Não desistas do amor, meu amor, tu me tens.
Embora não te tenhas, estou aqui, te esperando, calado.
Sofro por não te ter e tu sofres por nada ter.
Vem, meu amor, vem!
Me completa que eu te preencho e te faço feliz!
Vem, meu amor, tece comigo a poesia da vida
Que eu te eternizo nos meus versos
Vem, amor, vem!
Serás eterno enquanto puro
E serás puro como a minha poesia.
Bruno Sampaio.
Numa dessas, Érica disse: "poesia não se põe data, elas são tão eternizadas que não se prendem ao tempo". Perdida no computador, tão real e tão pulsante. Tão verdadeiro pra mim... Tão eu aí! =)
Há um mundo novo todo construído para você.
Há um mundo de felicidade, de paz, que construí para você, aqui fora
Meu amor, como te prendes!
A vida é bem mais que suas conclusões
A vida é mais que qualquer achismo inconcreto seu
Meu amor, como te iludes!
Vem comigo, caminha ao meu lado, saberei te guiar
Vem comigo, me mostra quem tu és, quero mostrar que sei te amar
Meu amor, como me maltratas
Não ligue para imperfeições, olhe dentro de mim, veja o que há de belo
Não ligue para outros afora, o que há aqui é mais lindo e completo que tudo
Meu amor, como nos entristece
Cai deste pedestal, meu amor, vem comigo, te prometo que será bom
Cai deste trono, eu te ajudo, eu te preencho, eu te prometo
Meu amor, como te amo!
És tudo aquilo que busco para mim
És como um todo sofrimento, sou como um todo sofrimento
Mas não, não deveria ser assim!
Temos um ao outro!
Que mais belo há na vida que ter outra vida para amar? Para te amar?
Vem meu amor, vem antes que eu voe, voe bem longe!
Vem, vem enquanto meus braços abertos só esperam o teu calor.
Não desistas do amor, meu amor, tu me tens.
Embora não te tenhas, estou aqui, te esperando, calado.
Sofro por não te ter e tu sofres por nada ter.
Vem, meu amor, vem!
Me completa que eu te preencho e te faço feliz!
Vem, meu amor, tece comigo a poesia da vida
Que eu te eternizo nos meus versos
Vem, amor, vem!
Serás eterno enquanto puro
E serás puro como a minha poesia.
Bruno Sampaio.
Numa dessas, Érica disse: "poesia não se põe data, elas são tão eternizadas que não se prendem ao tempo". Perdida no computador, tão real e tão pulsante. Tão verdadeiro pra mim... Tão eu aí! =)
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Inválidos sentimentos abstratos desconexos
Invasão diluvial imprudente, imponente, sagaz
Afogo-me na tempestade do meu inferno astral
Desvio meu caráter, mesmo que para isso eu não seja mais eu
E lute contra tudo o que quero e o que desejo
Um beijo de fel dou no meu próprio rosto
Há veneno escorrendo por entre meus dentes
Há sangue quente escorrendo em minhas mãos e o que teima em me restar, bate gélido, sombrio, em meu peito
Queria a coragem de outrora pra lutar
A vontade do passado de viver, a ilusão de sonhar
Queria fantasiar a felicidade de um carnaval
Queria o aperto quente de um sexo selvagem
Queria um abraço forte da pessoa que amo
Queria ter vontade de viver
Sou mutante sombrio, sou a mutação das coisas ruins
Sou a sombra que assola o mundo
O grito nojento do estupro
Sou a alma desacalentada do suicida
Sou a maresia que destrói construções
Sou a morte de tudo o que sinto
Sou eu só e o inferno em que vivo
Onde nem Satanás se faz presente
Sou pior que ele e isso me consola.
Nem Deus tenho por mim.
Me perco no meu mapa de ervas venenosas
Sou o sofrimento dentro de mim
Sou a sombra do porão, a lágrima no chão
Sou triste, ainda que poeta seja.
Bruno Sampaio.
Invasão diluvial imprudente, imponente, sagaz
Afogo-me na tempestade do meu inferno astral
Desvio meu caráter, mesmo que para isso eu não seja mais eu
E lute contra tudo o que quero e o que desejo
Um beijo de fel dou no meu próprio rosto
Há veneno escorrendo por entre meus dentes
Há sangue quente escorrendo em minhas mãos e o que teima em me restar, bate gélido, sombrio, em meu peito
Queria a coragem de outrora pra lutar
A vontade do passado de viver, a ilusão de sonhar
Queria fantasiar a felicidade de um carnaval
Queria o aperto quente de um sexo selvagem
Queria um abraço forte da pessoa que amo
Queria ter vontade de viver
Sou mutante sombrio, sou a mutação das coisas ruins
Sou a sombra que assola o mundo
O grito nojento do estupro
Sou a alma desacalentada do suicida
Sou a maresia que destrói construções
Sou a morte de tudo o que sinto
Sou eu só e o inferno em que vivo
Onde nem Satanás se faz presente
Sou pior que ele e isso me consola.
Nem Deus tenho por mim.
Me perco no meu mapa de ervas venenosas
Sou o sofrimento dentro de mim
Sou a sombra do porão, a lágrima no chão
Sou triste, ainda que poeta seja.
Bruno Sampaio.
sábado, 23 de janeiro de 2010
Ela
Deitada, sozinha, se punha a pensar e a nadar em um mar turbulento dentro de si.
Era um misto de sentimentos, vontades, desejos, ansiedades, era um misto tão complexo que mal consigo definir. Estava sozinha dentro de si, em busca de algo que desconhecia, mas que lhe fazia uma falta tão grande, tão grande que a tornava vazia.
Era feliz e sabia disso. E tinha todas as ferramentas para tal, embora se pusesse sempre a buscar, dentro de si, gerar conflitos para mentalmente resolvê-los e, assim, dar ânimo aos seus tediosos dias. Contava os dedos, sempre exatos dez, roia as unhas, nove, pois mantinha uma delas intacta, para soar sonoras e depressivas notas, no violão que herdara de um dos seus relacionamentos turbulentos, assim como todos os relacionamentos a que se dispunha a ter.
Era meiga, sabia disso. Tão meiga quanto inteligente e carismática e orgulhosa. Seus fartos cabelos de um castanho meio ruivo tinham a cor da indefinição, cor que simplesmente a definia. Mas seus cachos eram definidos, bem definidos, bonitos, eram enrolados como os sentimentos e vontades e anseios que tinha dentro de si, que também eram bonitos, mas confusos.
Estava tudo tão confuso dentro dela que mal sei escrever o quanto. Mas ela, sutilmente, escrevia em seu diário algum punhado de palavras, entoava algumas frases, cantava alguns versos, amaldiçoava alguns fantasmas, orava por seus amores. Indefinida, existia sozinha, resumida a infinidade de seus pensamentos, que a tornavam densa, poética e eterna, assim como a palavra, assim como o amor.
Bruno Sampaio.
Era um misto de sentimentos, vontades, desejos, ansiedades, era um misto tão complexo que mal consigo definir. Estava sozinha dentro de si, em busca de algo que desconhecia, mas que lhe fazia uma falta tão grande, tão grande que a tornava vazia.
Era feliz e sabia disso. E tinha todas as ferramentas para tal, embora se pusesse sempre a buscar, dentro de si, gerar conflitos para mentalmente resolvê-los e, assim, dar ânimo aos seus tediosos dias. Contava os dedos, sempre exatos dez, roia as unhas, nove, pois mantinha uma delas intacta, para soar sonoras e depressivas notas, no violão que herdara de um dos seus relacionamentos turbulentos, assim como todos os relacionamentos a que se dispunha a ter.
Era meiga, sabia disso. Tão meiga quanto inteligente e carismática e orgulhosa. Seus fartos cabelos de um castanho meio ruivo tinham a cor da indefinição, cor que simplesmente a definia. Mas seus cachos eram definidos, bem definidos, bonitos, eram enrolados como os sentimentos e vontades e anseios que tinha dentro de si, que também eram bonitos, mas confusos.
Estava tudo tão confuso dentro dela que mal sei escrever o quanto. Mas ela, sutilmente, escrevia em seu diário algum punhado de palavras, entoava algumas frases, cantava alguns versos, amaldiçoava alguns fantasmas, orava por seus amores. Indefinida, existia sozinha, resumida a infinidade de seus pensamentos, que a tornavam densa, poética e eterna, assim como a palavra, assim como o amor.
Bruno Sampaio.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Mexendo no computador do depósito, encontrei esse texto, que foi escrito dia 21 de outubro. Já faz um tempinho. Como amo meus textos frios, textos que leio tempos depois e gosto ou desgosto, resolvi postar esse, que, particularmente, gostei bastante.
Engraçado a quantidade de textos meus que devem ter sido perdidos por aí, pelos computadores e papéis da vida... Mas é isso, né? Na hora, a gente faz o parto e não se preocupa muito em guardar e nem em levar para adoção, enfim, eis ele:
"Eu sempre quis. Com uma obsessão que me era tão particular quanto o modo de querê-lo.
E queria muito. Sonhava com isso noite e dia e imaginava alcançar a todo momento.
Era um tanto quanto inatingível, mas não deixava de esperar, de aguardar pacientemente. Até aos santos recorri, em um ato mais desesperado.
Sempre me senti meio vazio com toda a minha poliqueixose diagnosticada por alguns amigos mais próximos. Talvez as minhas queixas nada mais fossem que uma forma de me preencher, nem que fosse com palavras, já que era tudo um vazio tão sombrio que me assustava.
Não estava acostumado a dormir só, mas também não recorria a companheiros imaginários. Era eu e meus pensamentos naquilo que julgava que me faria feliz. Me sentia confortável ao imaginar situações felizes, me sentia preenchido, acompanhado, dormia com alguém, ou com o desejo de alguém.
Com o tempo as coisas foram piorando e o vazio foi aumentando. Não conseguia mais controlar, era algo que me fugia às mãos e das mãos, a cada dia que passava. Só me culpava pelo que não pudia ser culpado, mas eu era assim, eu sou assim.
E assim, sendo do jeito que sou, sou tão vazio, tão oco, tão só. Só eu e meus pensamentos me acompanham. E eles me criticam, mas são sempre companheiros, diferente do que quero."
Bruno Sampaio.
Engraçado a quantidade de textos meus que devem ter sido perdidos por aí, pelos computadores e papéis da vida... Mas é isso, né? Na hora, a gente faz o parto e não se preocupa muito em guardar e nem em levar para adoção, enfim, eis ele:
"Eu sempre quis. Com uma obsessão que me era tão particular quanto o modo de querê-lo.
E queria muito. Sonhava com isso noite e dia e imaginava alcançar a todo momento.
Era um tanto quanto inatingível, mas não deixava de esperar, de aguardar pacientemente. Até aos santos recorri, em um ato mais desesperado.
Sempre me senti meio vazio com toda a minha poliqueixose diagnosticada por alguns amigos mais próximos. Talvez as minhas queixas nada mais fossem que uma forma de me preencher, nem que fosse com palavras, já que era tudo um vazio tão sombrio que me assustava.
Não estava acostumado a dormir só, mas também não recorria a companheiros imaginários. Era eu e meus pensamentos naquilo que julgava que me faria feliz. Me sentia confortável ao imaginar situações felizes, me sentia preenchido, acompanhado, dormia com alguém, ou com o desejo de alguém.
Com o tempo as coisas foram piorando e o vazio foi aumentando. Não conseguia mais controlar, era algo que me fugia às mãos e das mãos, a cada dia que passava. Só me culpava pelo que não pudia ser culpado, mas eu era assim, eu sou assim.
E assim, sendo do jeito que sou, sou tão vazio, tão oco, tão só. Só eu e meus pensamentos me acompanham. E eles me criticam, mas são sempre companheiros, diferente do que quero."
Bruno Sampaio.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
dis-Faces
Eu não me mostro
Eu não me demonstro
Eu só me abro para a minha poesia
Na face um sorriso aberto, expressivo
No peito uma lagrima latente, pungente
Eu não me abro, eu não me entrego
Eu me escondo, eu me afugento
Eu me abrigo nos meus versos
Eu ouço o som da minha métrica e nele me afogo
Eu me abismo, eu me lanço, eu me choro
Eu não me exponho
Eu sofro só, calado, na calada calada da noite
Eu penso, eu reflito, eu abstraio
Eu me refugio, eu me distraio
Eu sou eu, meu sofrimento e eu mesmo
Para todos, sou felicidade constante, abraços, sou um momento alegre
Para mim sou fracasso, sou abandono, sou solidão
Sou um porto à ver navios
Sou um peixe que nenhuma rede envolve
Sou livre e sou eu mesmo
Sou minha angústia e meu desespero
Sou minha sinceridade e minha vontade de viver
Não, não sou a vontade de viver.
Sou a verdade e isso aniquila tudo isso.
E isso me aniquila.
Bruno Sampaio.
Eu não me demonstro
Eu só me abro para a minha poesia
Na face um sorriso aberto, expressivo
No peito uma lagrima latente, pungente
Eu não me abro, eu não me entrego
Eu me escondo, eu me afugento
Eu me abrigo nos meus versos
Eu ouço o som da minha métrica e nele me afogo
Eu me abismo, eu me lanço, eu me choro
Eu não me exponho
Eu sofro só, calado, na calada calada da noite
Eu penso, eu reflito, eu abstraio
Eu me refugio, eu me distraio
Eu sou eu, meu sofrimento e eu mesmo
Para todos, sou felicidade constante, abraços, sou um momento alegre
Para mim sou fracasso, sou abandono, sou solidão
Sou um porto à ver navios
Sou um peixe que nenhuma rede envolve
Sou livre e sou eu mesmo
Sou minha angústia e meu desespero
Sou minha sinceridade e minha vontade de viver
Não, não sou a vontade de viver.
Sou a verdade e isso aniquila tudo isso.
E isso me aniquila.
Bruno Sampaio.
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